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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Retiro

Hoje: João está com 01 mês e quatro dia
Hoje: estou casada com Danny Ritter, pai do João
Hoje: Tiago está com 14 anos, 10 meses e 23 dias
Hoje: é mais um dia que eu queria estar com a minha família na minha Bahia


É difícil falar, mas me sinto assim, como se estivesse em retiro dentro de mim mesma. Estar “sozinha” aqui hoje me tira um pouco da acomodação de ter sempre alguém por perto para fazer o que eu deveria estar fazendo. Está me fazendo ir de encontro com tudo que tenho de “ruim” é um processo lento e doloroso, dói porque reconheço pelo desanimo, pela falta de alegria, de motivação, de entusiasmo que tem algo errado comigo. Diferente do pós parto de Tiago, com João nos primeiros dias tive um sentimento de impotência muito grande, de incapacidade, algo assim. Não me senti capaz de cuidar daquele serzinho de 2.915 kg e 47 cm tinha a sensação de que ele mudaria a minha vida completamente daquele dia em diante. E me via perguntando quem daria conta de tudo na casa? Quem iria lavar o banheiro? Quem iria fazer o almoço? Tudo bem que nos primeiros dias eu tive a ajuda de minha sogra que foi uma mão na roda mesmo. E dali em diante eu perdi um pouco o contato com a realidade a minha verdadeira e única realidade. E estar sem o Tiago naqueles dias foi muito ruim. Mas é como dizem e ouvi hoje num depoimento em Ana Maria Braga só entendi quem passa. Hoje me adapto sempre ao horário que ele dorme mas é muito cansativo, porque a medida que o dias vão passando os espaços de dormida do BB vão diminuindo e as vai ficando mais difícil.

Hoje dou banho no João o que para mim foi realmente uma conquista, sei quando ele quer mamar, quando quer trocar fralda, quando está com frio, com calor e sempre, sempre tenho um sorriso, um beijo, um abraço, um carinho para dar a meu filho. Penso também na minha relação com o pai do João, e lembrei do conselho que Lula me deu com o pai de Tiago < meu primeiro marido > “o outro só vai até onde nós permitimos” e sempre tive tendência de rendição, nunca gostei de brigas e para evitar brigas me rendia sempre. O outro estava sempre certo, por mais errado que ele estivesse para evitar gritarias e confusões. E percebi que quando permitimos a primeira, a segunda vez é difícil querer tomar a rédea, mas não é impossível. Alíás quando temos fé e coragem nada é impossível basta querer ainda que o primeiro passo para o conserto seja um recomeço.

E pela terceira , quarta sei lá estou recomeçando a minha vida. Agora tenho mais metas que antes, quando encarava e vivia o dia a dia num oba-oba entende? E a primeira é batalhar pela minha casa própria. E encarar os leões do dia a dia com muita garra e fé. Fé que conseguirei ou meu emprego de volta ou outro emprego. Sei da minha competência e inteligência e sei mais que tudo que Deus e meus amigos espirituais estão sempre comigo. A educação e a felicidade de meus filhos hoje estão acima de tudo em minha vida mas só percebi isso com muita dor, saudade e lágrimas. Principalmente depois que Tiago voltou para Salvador.

O poder de uma amizade

Data 22/02/2010

Hoje: João está com 01 mês e dois dias
Hoje: estou casada com Danny Ritter, pai do João
Hoje: Tiago está com 14 anos, 10 meses e 21 dias
Hoje: é mais um dia que eu queria estar com a minha família na minha Bahia

Conhecemos-nos desde a sexta-série e lá se vão mais de 20 anos e hoje somos como irmãs, mas quem sempre me chamou atenção, sempre me deu conselhos para não cair mais ainda nos buracos das minhas crises depressivas era ela. Lula antes de se formar em psicologia já era psicóloga há muito tempo. E desde meninas nos damos muito, muito bem. E hoje falar de Lula é muito mais do que agradecer a Deus por tê-la colocado em meu caminho, mas simplesmente por ela ser tudo que ela é hoje e minha amiga.

E Lula chegou aqui e me encontrou num estágio imenso de uma tristeza que só ela conseguiu ver além de mim, procurou, não achou e buscou no fundo de mim e auto-estima que prometi primeiro a mim e depois a ela recuperar. Não só a mudança de estado, a distância de minha terra, da minha família e amigos e lembro como se fosse hoje e já vai fazer um ano quando ela me viu aos prantos no skype e disse: força minha amiga, não chore você está dentro do olho do furacão, eu já passei por isso e ainda passo às vezes, mas também vai passar para você. E passou. Ela chegou aqui com o Peter, marido e hoje um amigo especial que aprendi a admirar com o tempo e porque ele a faz muito feliz e a felicidade dela agente vê a olhos nus. Chegaram aqui em dois dias que para mim foram inesquecíveis e procurei aproveitá-los ao máximo. Conversamos e muito e também ouvi muito. Muito do que precisava há muito tempo e que ouvi de minha voz interior e algumas vezes me fazia de surda. Saímos e saímos muito, sabe aquela história de que os amigos são os irmãos que escolhemos? Pois é, Lula entra nessa categoria e considero mesmo ela como uma irmã do coração. Hoje a minha relação com a Cristiane minha irmã está diferente e com muito mais amor, graças a Deus e a essa minha experiência aqui. E com Lula essa relação já era assim desde o primórdio de nossa história. Pensei e pensei mesmo que estivesse entrando numa depressão pós-parto só não sabia que ela aconteceria depois de alguns dias do parto. E chorava todos os dias às vezes por motivos e muitas outras sem motivo algum, mas o que mais me deixou triste, mas de certa forma me fez encarar alguns fatos de minha vida com mais frieza até... foi o fato de minha mãe não estar perto de mim. E esse acredito que tenha sido o estopim para a tristeza ocupar o espaço deixado pela alegria e pela auto-estima. Não que o João não tenha me deixado alegre, muito pelo contrário... ele me fez ir lá no fundo de mim e buscar cada sorriso, cada palavra de carinho, cada toque para fortalecer mais ainda o nosso laço.

Lula chegou aqui e acendeu em mim a esperança, a vontade sabe? A certeza de poder ser feliz mesmo quando acreditamos que de alguma forma estamos temporariamente no fundo de algum poço. E me disse que quando chegasse a Salvador iria me indicar uma amiga dela para eu começar urgente uma terapia.

Sempre, sempre tive tendências a terapias, mas quando estou bem e em paz eu que às vezes faço terapias nas pessoas. Incrível isso não é? As provas disso são os grupos de mensagens otimistas, de poesias de alegrias que mantenho na internet. E hoje alguns deles estão sem a minha presença meses e meses. Mas isso é outra parte de minha vida que terei que voltar atrás e recomeçar. E mais uma vez Lula me fez ver o quanto esqueci de mim e de viver de certa forma positiva tudo isso que vi de forma negativa em minha vida. A sogra educada, gentil e doce que tenho e que esteve comigo desde o primeiro choro do João. Ao sol que sempre procurou aquecer meu coração dentro da frieza do meu egoísmo. As arvores que tentam todos os dias me mostrar que Deus existe e que elas são a prova viva disso. A cidade em si que me acolheu bem, independente de minha opinião sobre ela e sua gente. E aqui estou em fase de continuação, de prosseguir sem encarar esse voltar como retrocesso, mas como continuação do meu caminhar em busca da minha felicidade no lugar que eu escolher. E ela me fez ver esse voltar da forma mais positiva emocionalmente falando. Pois o que antes eu encarava como frustração ela me fez ver como processo de amadurecimento, um pequeno estágio nessa grande jornada humana em busca da evolução. Ou seja, faz parte do meu processo de amadurecimento, é um fruto de minha escolha.

E quando a vi sorrindo e segurando o João no braço, decide que não iria tirar uma foto com ela, não como eu estava. Quero e vou tirar fotos com mais sorrisos, batons e adereços femininos rsrsrs. E vi pela segunda vez ela segurando um filho meu, sim porque a 15 anos atrás ela segurou o Tiago nos braços e hoje o João.

Beijos e até a próxima.



Debby

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